quinta-feira, 10 de março de 2011

Indicados da semana: Cisne Negro

Esta semana indicamos o belíssimo Cisne Negro, verdadeira obra de arte cinematográfica. O filme recebeu cinco indicações ai oscar (melhor filme, melhor direção, melhor atriz, melhor fotografia, melhor edição), vencendo na categoria melhor atriz.

A abordagem é fenomenal. O envolvimento psicológico que a narrativa consegue é proporcional à profundidade da temática abordada.

A única preocupação do filme é ser ele mesmo. Ignora o público, não se preocupando se vai ou não agradar, por isso agrada de maneira fantástica. Está ali na tela, despido de interesses comerciais, merchandising barato. O peso que traz é carregado pelo telespectador mesmo (e principalmente) após a sessão. Impossível esquecer e/ou ignorar o filme após seu término. É aquela espécie de história que leva à reflexão, ainda que involuntariamente.

Dor, limites, superação, sonho, inocência, sensualidade... são ingredientes que constroem Cisne Negro. Na montagem do Lago dos Cisnes, o diretor decide que uma mesma atriz interpretará as duas personagens: o cisne branco e o negro. Uma nova atriz será apresentada ao público. E este com seu lado mais sombrio.

Vale a pena conferir.


sexta-feira, 4 de março de 2011

Cora Coralina - Saber viver

Cora Coralina, goiana, poetisa nata. Publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade.

Doceira por profissão, viveu longe dos grandes centros. Sua simplicidade é perceptível em sua obra, marcada pelos motivos do cotidiano do interior do país, de forma singular, pelos becos e ruas de goiás.

"Senhora de poderosas palavras, Cora escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Cora parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito" (cf. Wikipedia).

Assista agora vídeo com um de seus textos.

Mordaças

Nunca pensou que o desejo de uma criança pudesse lhe incomodar e questionar tanto. Seria de fato incômodo ou algo que não conseguia dar um nome, o que lhe tomava por completo?

Viu-se sentado no pequeno banquinho de madeira, a irmã no colo, a mãozinha estendida, querendo tocar sua face e os olhos exigindo uma resposta. Os olhos. Os olhos eram o que mais lhe incomodava. Pareciam ver sua alma e tentavam extrair dela uma satisfação para a necessidade.

A impotência avassaladora ganhando espaço dentro de si, saltando do âmbito de seu controle. Mãos atadas diante de quase nada. Mordaças ferozes.

Tentou balbuciar uma desculpa plausível para a irmãzinha, uma satisfação para a negação do que ela queria, mas não haviam palavras que se coordenassem em frases, orações, períodos... havia apenas o fato e a impossibilidade. Esta, imensa diante de quase nada. Pareceu-lhe que o desejo da irmã - tão pequeno - configurava-se em seu sopro vital naquele instante. E ele não era capaz de satisfazê-lo. Era obrigado a negar-lhe o sentido pleno para aquele momento. Por tão pouco. Que não tinha!

Recorrer a quem? Amigos?  Desconhecia o que fossem. Parentes? Tinham apenas um ao outro. Vizinhos? Grades altas demais os isolavam completamente. Grades bem mais fortes e maiores haviam sido construídas dentro dos vizinhos. Talvez a única solução fosse ir às ruas, como já fizera tantas vezes, deixar o pequeno resto de dignidade que ainda lhe cabia, e se humilhar, estendendo as mãos e pedindo uma moeda, enfrentando a frieza e a indiferença da grande maioria dos olhares.

Lançou o olhar para o teto sujo e úmido, na vã tentativa de evitar que o nó na garganta subisse, ganhasse espaço e explodisse em lágrimas. Apertou o frágil corpo da irmã contra si. Dela emanava tênue calor. Beijou-lhe os cabelos despenteados e apertou-lhe as mãos. O coração se apertou junto. O nó na garganta, ainda maior.

Os olhos úmidos da irmã continuavam exigindo uma resposta afirmativa. No fundo, ele sabia, ela já não acreditava que ele fosse capaz de lhe oferecer o que necessitava. Ainda que fosse um tênis caro, uma roupa luxuosa, um brinquedo inatingível... ainda que fosse uma refeição no melhor restaurante da cidade, o ingresso para o maior e mais atrativo parque de diversões.... mas não. Tudo o que ela desejava era ter o chiclete do comercial de tv. E ele não podia comprá-lo!

Jean Lucy Toledo Vieira
jean.csdb@hotmail.com

quinta-feira, 3 de março de 2011

Poesia em construção

Lá fora houve chuva ininterrupta por três dias inteiros. Por vezes suave, por vezes brusca. Mas ininterrupta. O mundo molhado da cabeça aos pés. Os pés molhados ao se chegar da rua.

Aqui dentro, um universo em (re)construção. Elementos adicionados. Elementos ignorados. Vida, braços, abraços. Carinho, afeto, água da chuva. Calor, frio, poesia, música. Chocolate quente, vinho, cobertor. Filme, risos, sonhos.

Aqui dentro (mais para dentro ainda), sentimentos, alegria infantil, questionamentos, passos dados/não dados, pensados/não pensados. Ali fora, chuva. Sol atrás das nuvens, bem atrás. Borboletas assustadas, sonhando com as flores molhadas. Ausentes. Aqui dentro, menino acolhido, acolhedor. Lá fora, poesia concreta. Úmida. Em construção. Aqui dentro, eu, aquecido. Lá fora, mundo. Molhado.

Agradecimento


Queremos iniciar o dia agradecendo a todos os que tem nos visitado, acompanhado nosso singelo trabalho (para não dizer grandes divagações). Além das visitas de todas as partes do Brasil, agradecemos de forma especial nossos visitantes dos Estados Unidos e Canadá. Grande abraço.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Indicados da semana

A cada semana Café & Arte estará fazendo algumas indicações que, acreditamos valer a pena conferir. São livros, cds, dvds, filmes (lançamentos ou não), peças de teatro, entre outras manifestações artísticas.

Nesta semana destacamos o polêmico Bruna Surfistinha que, vale  a pena ser visto entre outras coisas, pela magistral interpretação de Débora Secco. A atriz vivencia  a personagem em sua intensidade e deixa transparecer na tela os sentimentos, emoções e frustrações da mesma. Apesar de algumas cenas fortes, com conteúdo sexual, em nenhum momento o filme se torna vulgar, pornográfico. É a vida de uma prostituta narrada de forma bem construída.

Conteúdos que dizem respeito a todos saltam da tela e nos questionam, como: respeito, amor, família, companheirismo, amizade, ganância...

Alguns anos atrás, com certeza, um filme como Bruna Surfistinha seria cotado como mais uma obra pornográfica ou quase. O avanço cinematográfico nacional é visível e merece ser prestigiado em nossas salas de cinema, espalhadas em todo o país.

terça-feira, 1 de março de 2011

Convite


Pela manhã, borboleta em minha janela fez-me o convite:
- Vamos brincar de ser feliz?
E sorriu seu riso colorido, me acenando com suas asas translúcidas.
O sol me aguardava do lado de fora da minha janela, com um dia inteiro embrulhado para presente.

Jean Lucy
jean.csdb@hotmail.com