segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Indicado da semana: Filme Onde está a felicidade?

O cinema nacional tem percorrido um notório caminho de ascenção, diríamos, desde Central do Brasil. Relegado a segundo plano por muitos anos tem-se mostrado a que veio nos últimos anos. Só para citar alguns nomes: Olga, Central do Brasil, O auto da Compadecida, Os normais, Como esquecer, Tropa de Elite, As melhores coisas do mundo, De pernas pro ar, O cheiro do ralo,... títulos que exemplificam em pequena medida, a grandiosidade do que hoje temos como cinema nacional, do drama à comédia, do campeão de bilheteria ao que atingiu pequeno público (mas nem por isso de menor qualidade).

E é neste cenário que a co-produção entre Brasil e Espanha chega ao grande público. Onde está a felicidade? parte do filão " busca por felicidade" e do desejo de encontrá-la em algum lugar específico, em território marcado. E surpreende. Pelo roteiro simples, desprovido de grandes diálogos, mas direto. Pela interpretação. Pela fotografia. Pela leveza. Pela abordagem simples e, ao mesmo tempo, complexa da psicologia brasileira e espanhola. O texto consegue extrair a essência de uma e outra nacionalidade, em linhas gerais, sem cair no estereótipo ou clichê.

O filme aborda fé em uma sociedade pós moderna, com todas as características que lhe é própria. Fala de amor onde o consumo dita as regras. Aponta para honestidade como caminho que de fato vale a pena. faz rir sem apelação. Faz bem para a alma.

Salas quase vazias, é bem verdade. Poucas salas de exibição. Poucos cinemas a exibirem o filme. É o público brasileiro aprendendo aos poucos a ter gosto pelo que é nosso. É a arte nacional buscando espaço em um mar capitalista movido pelo que poderíamos aqui chamar de ardinheiro: a arte que, se não produz dinheiro, deixa de ser.

Se vale a pena conferir? Programa imperdível aos amantes do bom cinema nacional.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Café & Arte agora tem sua página de vendas

Agora Café & Arte tem sua página de vendas. São livros das mais variadas áreas: literatura, didáticos, religiosos... novos e usados; entre e confira nossos preços e catálogo. Para compras acima de R$ 100,00, o frete grátis para todo o Brasil. Basta acessar a página http://cafeiarte.mercadoshops.com.br/

Não deixe de conferir.



Recomendado: O retrato de Dorian Gray - o filme

Com dois anos de atraso, finalmente estréia no Brasil O retrato de Dorian Gray, adaptação da famosa obra de Oscar Wilde (seu único romance, é verdade).

Entre elogios  e críticas, o filme segue tímido em poucas salas de cinema. Em alguns lugares, o rótulo de cult, coloca-o ainda mais longe do grande público que, convenhamos, está louco para ver o final da saga crepúsculo!

Embora o filme se perca em alguns momentos, em outros se sobressai por si mesmo. Oscar Wilde preenche com uma dramaticidade única suas personagens e seu texto ímpar (ali está a marca do que foi sua vida, suas histórias. Recomendo a leitura de The Profundis, carta autobiográfica, para um contato maior com o que foi sua existência). A adaptação cinematográfica tenta captar em algumas cenas esta intensidade em cores e movimentos.

Na obra de Wilde temos visível, quase gritante, uma denúncia aos costumes sociais, morais de uma época em decadência (ou, melhor, da existência humana sempre decadente). Não há o bem ou o mal. Há o corrompido e o que ainda está por corromper. Personagens dúbias, filosofia viva, existencialismo cru. São alguns dos ingredientes que se somam à construção do filme.

Moralidade, religiosidade... instinto... prazer versus felicidade. Talvez a grande angústia de Dorian seja exatamente esta: poder comprar tudo, inclusive o prazer, ser dono de beleza eterna... mas ser infeliz. A beleza de algumas coisas está justamente no fato de serem passageiras, diz em algum momento.

Algumas situações apenas insinuadas no livro são escancaradas no filme. As orgias, o sexo fácil, bebedeiras, homossexualismo, busca por redenção... estão ali, diante do público, instigando reflexão. Wilde continua atemporal em sua obra. Assim como Dorian, sua ela segue, atemporal, bela, sendo conhecida/corrompida pouco a pouco. 

Ainda dá tempo de buscar o cinema mais próximo.




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Bicho - Manoel Bandeira


Vi ontem um bicho 
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vento no litoral - Legião Urbana



De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...

Eieieieiei!
Olha só o que eu achei
Humrun
Cavalos-marinhos...

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quanto vale a vida?


Quanto vale a vida de qualquer um de nós?
?quanto vale a vida em qualquer situação?
?quanto valia a vida perdida sem razão?
?num beco sem saída, quando vale a vida?
são segredos que a gente não conta
são contas que a gente não faz
quem souber quanto vale, fale em alto e bom som
?quantas vidas vale o tesouro nacional?
?quantas vidas cabem na foto do jornal?
?às sete da manhã, quanto vale a vida
depois da meia-noite, antes de abrir o sinal?
são segredos que a gente não conta
(faz de conta que não quer nem saber)
quem souber, fale agora ou cale-se para sempre
?quanto vale a vida acima de qualquer suspeita?
?quanto vale a vida debaixo dos viadutos?
?quanto vale a vida perto do fim do mês?
?quanto vale a vida longe de quem nos faz viver?
são segredos que a gente não conta
são contas que a gente não faz
coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz:
?quanto vale a vida?
nas garras da águia
nas asas da pomba
em poucas palavras
no silêncio total
no olho do furacão
na ilha da fantasia
?quanto vale a vida?
?quanto vale a vida na última cena
quando todo mundo pode ser herói?
?quanto vale a vida quando vale a pena?
?quanto vale quando dói?
são coisas que o dinheiro não compra
perguntas que a gente não faz:
?quanto vale a vida
(Engenheiros do Hawaii)